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16 Dez 2008 - 14:06:39

Capítulo II - O Lendário vendedor de Cogumelos Dançantes.

Capítulo II - O Lendário vendedor de Cogumelos Dançantes.

Naquele dia eu estava totalmente perdido e desmotivado para tomar uma atitude maior.
Estava sem dinheiro, sem comida, sem mochila, e sem a mínima idéia de onde procurar apoio para me recompor.
A única coisa valiosa que me restara eram os calçados que vestiam meus pés, que noutra hora havía mandado confeccioná-los em Darashia, no oriente, além do meu cajado místico.
Feitas de fibras de Babosa e tingidas com sangue de ovelha negra, o par de botas era provído por uma força oculta, imperceptível aos olhos, criadas pelos anciões imortais que habitavam os arredores da cidade.

Minha primeira atitude depois de lamentar o acontecimento, foi ir atrás com a única informação que eu tinha em mãos para encontrar aquele desgraçado. A casa número 6, na Central circle Shop.
"Toc Toc", bastou dois toques na porta, para eu ouvir os passos que aparentemente desciam as escadas da casa.
Uma mulher apareceu sobre a janela lateral, se apoiando sobre a parte inferior, onde Bronha na noite anterior estava encostado, eufórico.

Aparentemente a jóvem tinha pouca idade, olhos negros, cabelo escuro encaracolados, uma garota normal.
Porém um detalhe me deixou curioso, aquela pequena penugem acima de sua boca, semelhante ao que os homens costumam ter.
"¿Qué quieres señor?" perguntou ela.
"Procuro por Aleon Bronha, seu empregado." respondi, assustado em consequência do sotaque que apesar de confuso, era ao mesmo tempo legível aos meus ouvidos.
Ela então me disse que nunca tinha visto ou ouvido falar desta pessoa, fechando em seguida a janela de maneira brusca.
Insisti, e mais uma vez bati em sua porta.

"¿Qué quieres porra? Deixame, Puto!"
Disse ela sem esperar eu responder, entrando novamente para dentro de sua casa.
De fora dava para ouvir uma canção que aparentemente era executada pela mesma mulher misteriosa.
Aquilo soava como algo extremamente desagrádavel "I Soy rebelde" cantava ela repetidamente.

Entendi o recado, e me perguntava se aquela moça era o mesmo bebê de tantos anos atrás e preferi não incomodá-la por enquanto.

Sem nenhuma idéia de como seguir em frente, a única coisa que me recordava naquele instante era de como me tranquilizava atirar pedras no Oceano.
Meu ponto prediléto era a ponte que ligava Edron, até a saída nordeste.
Decidí visitar o local.
No caminho por algum motivo aquela música não saía da minha cabeça, e estava realmente me incomodando.

Cheguei ao meu destino, o lugar não tinha nenhuma mudança, e estava exatamente como a 20 anos atrás.
O mar estava calmo, e no horizonte você ainda avistava as gaivotas que alí se alimentavam.

Aquilo realmente me confortou, jogar pedras no oceano era um refúgio que mesmo depois de tanto tempo, ainda me confortava, e me fazia esquecer dos problemas desagradáveis e naquele momento da música que então eu havía me esquecido.

O tempo passou rápido, e nem me dei conta que o sol caminhando para o horizonte, e que agora núvens escuras e carregadas se aproximavam da bahia de Edron.
Começou a chover, eu corri com facilidade para o primeiro local coberto que eu avistei, mesmo assim eu estava ensopado.
O local era o maior ponto de magia da cidade.
Com uma forma geométrica, ligado por algumas pontes, o local era visitado por muitos curiosos e místicos.
Alí era possível encontrar poções, comidas, livros, e consultar oráculos que podiam te guiar espiritualmente, e te ensinar técnicas para concentrar sua força.


Segui até uma escada, subindo degrau por degrau, de forma desajeitada com o peso da roupa em consêquencia da água.
No andar superior eu encontrei um local totalmente místico, que eu jamais havía estado antes.
O cheiro era semelhante, sem dúvida o mesmo, que eu encontrara no dia anterior saindo da janela de Zalpni, e havía objetos estranhos por toda parte.
Tirei as minhas botas e as encostei junto a parede, para evitar que por ventura eu adoeça e uma nova desgraça aconteça comigo.


Caminhei então até o balcão, onde se encontrava um rapaz estranho, que sorria de uma forma engraçada ao mesmo tempo lenta e relaxante.
"Olá...."
"Ouahee, menino branco do sapato ensanguentado!" Disse ele...
Me espantei, pois não entendi o que aquele homem quis dizer.
Ele então me disse "So a vida e so a morte, so guerrero so frangote, so a guerra so a paz, so de menos so de mais".
Ainda sem entender, e antes que eu perguntasse algo, ele continuou "Num confundi Ouarrii, meu nomi é Yddotí e to aqui pra ti serví"
Naquele momento uma lembrança forte veio a tona, e tive uma recordação.
Meu pai sempre me contava sobre um tal Yddotí, que cuidava de sua saúde mental, ele dizia que Yddotí era milagroso, e conseguia mudar o seu humor sempre que estava deprimido.
Era conhecido como O lendário.
Em um ato de desespero, eu pedi para aquele homem me ajudar, pois a fome retornara naquela tarde, e eu estava ensopado e deprimido com os ultimos acontecimentos e sem nenhuma moeda para pagá-lo.
Ele então, sem hesitar me ofereceu uma xícara de chá, composta por cogumelos de Tiquanda.
Sem pensar e confiante que aquilo iria saciar as minhas vontades, eu bebi em 2 goles.
O gosto era amargo, e insuportável, uma ãncia me subiu a cabeça, mas segurei a respiração e depois de alguns segundos aquilo não me incomodava mais.


Continuei conversando com o lendário, e conforme o tempo ia passando, os pássaros azuis caramelados planavam pela sala acompanhados pelos grandes elefantes de orelhas fluorescentes.
Aquele espetáculo era lindo, minhas botas desgrudaram da parede e criaram vida, e começaram a dançar, junto ao restante dos Cogumelos que se encontravam na pratileira.
A sensação que eu tinha, era de um prazer imenso, eu estava flutuando e observando todo aquele espetáculo de cima.
O lendário se transformara em chocolate, e as paredes se moviam de um lado para o outro, para frente e para trás.
Eu não sabia explicar o que estava acontecendo, mas a fome não existia mais, a tristeza havía sumido, e eu não estava mais preocupado com nada.


Desci as escadas, e fui vagando pelos corredores, passando pelo meio das pessoas que alí estavam.
Sob o efeito do chá, eu continue sendo seguido por Pássaros caramelados, que agora mudavam de cor, e tentavam me dizer alguma coisa.
Um dos pássaros passou a minha frente, e começou a me dizer "Obrigado mais uma vez pela oferenda meu senhor".
Eu ainda sem entender, continuei seguindo em frente.
A voz daquele pássaro era famíliar, mas não conseguia me lembrar a quem pertencia naquele momento.

Não tinha mais conciência de tempo, e espaço, me guiava por sensações e pelo que eu achava que era certo.
Mas onde eu estava? ja havía andado muito, e a sensação que eu tive era de ter caminhado por dias.
Subi e desci muitas escadas, que aparentavam ser grandes pedaços de bifes, a não ser pelo gosto da madeira.

Logo aquele barulho me chamou atenção, o mesmo do asoalho de madeira que noutro dia eu havia escutado.
Cheguei a pensar que eu estava novamente no cais, mas não conseguia enxergar nada além de Bifes e pássaros caramelados.

A sensação agora já não estava mais me trazendo prazer, e sim um euforia imensa que não me deixava voltar ao normal.
Em um ato de desespero me joguei do Bife mais alto que encontrei imaginando ser mais uma ilusão, e tive uma surpresa...


[i]Continua...
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