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16 Dez 2008 

A arma mais bela. O golpe mais fraco.

A arma mais bela. O golpe mais fraco.
—Esta história encontra-se perdida no tempo, não posso lhe afirmar a qual século, guerra, ano, nem mesmo o dia em que ela se passou, mas posso lhe afirmar, pelas moedas em minha bolsa, ela é verídica. Antes de contar-lhes os fatos marcantes em si, é meu dever explicar-lhes os fatos até então. Não muito emocionante, mas não tão desnecessário, Rick Bonecrusher, o ferreiro, estava conversando com o homem conhecido como Astinos Lamael, sobre a participação dele, o ferreiro, na guilda conhecida como Langobardis e, após pagar a taxa de trezentas moedas de ouro, Rick Bonecrusher foi enviado em uma missão, cujo objetivo era estudar o comportamento hierárquico dos minotauros.
Rick já não era tão novo em Thais, mas também não era um experiente aventureiro, então Astinos Lamael o acompanhou até o sul de Thais, numa região um tanto hostil, onde ali estava um acampamento minotauro. Agora restava a Rick estuda-los.
Numa distância segura, Rick montou acampamento debaixo de um sol escaldante e ali ele ficou a observar e anotar o que vira. O dia logo foi passando e mesmo após se banhar na praia o calor aumentava, assim como a curiosidade de Rick sobre aqueles minotauros.
Rick averiguou a constante movimentação naquele local, havia muitos minotauros, mas apenas um mandava ali, aquele que trajava uma armadura e empunhava um enorme machado, aquele deveria ser o capitão, como Rick descreveu em suas anotações: o capitão e sua tropa. Eles estavam carregando caixas para uma espécie de embarcação, daquela distância Rick não conseguia enxergar muito bem, então ele se aproximou junto com o anoitecer.
O ferreiro se aproximou sorrateiramente, já havia anoitecido, os minotauros acenderam uma fogueira, mas nada que impedisse Rick de bisbilhotar. Do meio das pedras ele observou mais atentamente, as inúmeras caixas lacradas despertaram sua curiosidade, o que haveria dentro delas? Foi o que o ferreiro pensou. Logo ele teve uma preocupação, pegou um mapa dentro de sua mochila e começou a analisar as possíveis rotas daquela embarcação, então a surpresa, duas eram as ilhas próximas Fibula e Rookgaard.
Uma invasão a Fibula não era tão preocupante para o ferreiro, mas uma invasão a Rookgaard sim. Se aquela tropa minotauriana chegasse a Rookgaard, uma catástrofe poderia acontecer, a academia poderia ser destruída e vários cidadãos morreriam na batalha, um ataque supresa, vinda de sul e norte, seria o fim. Então Rick decidiu interferir nos planos daqueles minotauros, fossem eles ameaçadores ou não, Rick sabia que o melhor remédio seria a prevenção, então ele causou uma distração, arremessando uma pequena pedra no meio dos arbustos, a pedra espantou as gaivotas que ali dormiam e chamou a atenção dos minotauros que deixaram seus postos para fazer a averiguação. Neste momento Rick agiu, correu até a embarcação e com sua pequena faca começou a furar o barco dos minotauros.
Rick causou danos suficientes para fazer a embarcação afundar lentamente, mas na pressa deixou cair sua faca. Quando os minotauros voltaram perceberam a sabotagem e começaram a procurar pelo sabotador. Desesperado pelo medo de ser encontrado, o ferreiro saiu correndo no breu da madrugada, mas justo naquele momento a lua se mostrou brilhosa no céu após as nuvens passageiras caminharem com o vento, então a presença do ferreiro foi notada por alguns dos minotauros, mas antes que estes pudessem avisar os outros, Rick os acertou com sua pesada marreta e se escondeu numa caverna ali próxima.
A caverna era de extrema escuridão, Rick acendeu uma tocha e logo percebeu que estava rodeado de morcegos, os quais ele esmagou facilmente. Mas havia mais alguém ali, Rick escutava passos, poderia ser um monstro, um troll ou um orc, mas então veio aquela rajada de luz e Rick se deparou com uma jovem menina.
continua...
OBS:
Mas aonde ele achou aquele mapa?
R: Rick comprou lá na lojinha do Lubo, pagou baratinho, era o último exemplar.
O lado do por do sol está errado.
R: é, eu não tinha percebido.
Mas sem querer ser chato você não afundou o barco.
R: Rick furou o barco e ele começou a afundar lentamente, mas claro visto a sabotagem os Minotauros iriam reparar ele.
Obrigado por lerem -.^
Admin · 779 vistos · 4 comentários
16 Dez 2008 

•O comedor de manteiga•

Capítulo I

Acordou. O garoto acordou. Espeguiçava-se, esperando o ânimo de levantar o atacar.

- Filho! Tá na hora, mermão! - gritou a mãe de Beterraba, fazendo gestos obscenos para os morcegos que a cercavam.

O garoto, pôs-se a gritar que nem uma capivara alérgica a tomates:

- Olha o bolo!! Bolinho, bolinho!!

O biscoito sabor inhame, que dormia de baixo da cama de Beterraba, acordou, e infelizmente, com os gritos legais do garoto, morreu de tanto susto.

Enquanto ocorria essa infeliz ocasião, os pepinos estavam invadindo a cidade. Eram muitos pepinos, a cidade estava toda tomada por bananas verdes comestíveis que cheiravam a paio.
_fimdocapítuloI_

Capítulo II

Enquanto a mãe de Beterraba atirava sementes de girassol germinada nas cabeças dos morcegos, o garoto estava descendo a escada. Descia chorando.

- Por que está saindo água mineral de seus olhos, mermão? - perguntou a mãe para o garoto que cheirava a mostarda.

- Cale a boca, mãe, sua desgraçada. O biscoito morreu, e a culpa foi sua! - respondeu Beterraba, enquanto bebia um copo de cerveja com esterco.

Um babuíno, que estava sentado na janela da cozinha, viu que alí estava começando um bate-boca de mãe e filho. Para evitar essa discussão familiar, o babuíno começou a dançar. Evitando absolutamente nada.

Os pepinos salgados, que já teriam tomado toda a cidade, começaram a matar os calangos que ficavam em cima da igreja. Porém, apenas um dos pepinos, notou que havia um cheiro de cerveja com esterco perto da igreja. Dirigiu-se ao lugar, ficando em frente da casa de Beterraba.

Os percevejos anões que ficavam no alto da montanhas rosas, viram que os pepinos estavam botando manteiga na cidade.

- Vamos comer toda a manteiga e, salvar a cidade safada. - disse um percevejo anão cego.

Enquanto isso, o pepino que adorava cerveja com adubo, começou a jogar bombas-quiabo na casa de Beterraba. A casa explodiu, e todos que estavam nela, morreram. Apenas o babuíno que estava dançando na janela que não havia morrido, pois era imune a queijo de búfala.
_fimdocapítuloII_

Capítulo III

O babuíno, chorando após a casa de Beterraba ser destruída, pulou em cima do pepino que havia destruido a casa. Enquanto o pepino tentava tirar o babuíno que estava totalmente grudado em sua cabeça, o babuíno gritava que nem um bode malhado no ouvido do pepino, que acabou morrendo.

Os percevejos, invadiram a cidade, comendo de pouco a pouco a manteiga.

O babuíno decidiu ajudar os percevejos, chamando seus amigos babuínos que eram praticamente viciados em manteiga chorona.

E os pepinos, inconformados com o que estava acontecendo, começaram a chorar, aumentando a manteiga presente na cidade. Sendo assim, choraram muito, criando uma manteiga enorme. Essa manteiga, se transformou no Ryu, do Street Fighter, que começou a matar todos os babuínos, percevejos e pepinos.

Depois de todos terem morrido, Ryu começou a tomar vitamina de açaí, sendo que ele era alérgico a esta fruta.

Ryu e todos acabaram morrendo, apenas o vendedor de leite chamado Joninha que sobreviveu, pois estava dentro da geladeira de sua casa.
_fimdocapítuloIII_

Capítulo IV

Joninha, vendo a cidade deserta com nenhum sinal de vida, começou a chorar. Chorou por três dias, sendo que no quarto dia ele comeu capim com almondegas.

Depois de um mês, Joninha, solitário, ligou a TV de sua casa. Estava passando um leilão de gados, que acontecia no outro lado do mundo. Assim, ligou para o leilão, dando sua oferta a favor de um boi. A oferta foi tão miserável, que ligaram de volta, insultando-o.

Joninha festejou os insultos, fazendo ele virar um castor. Assim, ele se multiplicou, tendo mais de cento e cinqüenta castores comedores de alecrim com polenta na cidade gorda.

A cidade passou a se chamar Cidade Suína, por causa da quantidade de castores alados que a oculpavam. Neste dia, raposas alérgicas a cuscuz começaram jogar molho agridoce nas vitrines das lojas.

Passaram-se dois meses após esse acontecimento. O maior comedor de orégano com leite ninho estava distribuindo focinhos de bacalhau. Os focinhos estavam todos gelados, congelando toda a população que apreciou este alimento lindo e maravilhoso.

O maior comedor de orégano com leite ninho foi preso por jacarés bailarinos por causa de ter congelado a população com pequenas capivaras que cheiravam a sushi com feijão.

Todos esses acontecimentos influenciaram Jack Bovino a explodir a cidade, acabando com a vida existente em Cidade Suína.

- Mexeram com o alienígena chorão errado. - gritou Jack, enquanto carregava uma geladeira em suas fofinhas costas.
_fimdocapítuloIV_

Capítulo V

Jack Bovino, quando viu que nenhuma pitanga havia quebrado a chave de fenda do bezerro, começou a pular que nem um leprechaun saltitante que comia feijão com doce de leite. Pulou por 237 dias, criando uma civilização cheia de calangos malhados.

Essa cidade de calangos malhados chorões se chamava Cão Zum, por causa dos cães alérgicos a miojo sabor abajur.

Os calangos comiam muito miojo sabor janela, fazendo todos morrerem.

Jack, vendo os calangos morrendo, ficou feliz, que acabou morrendo também.

Todos haviam morrido, apenas um jiló que estava com dor de barriga que havia sobrevivido, celebrando a situação. Jiló teve três filhos com uma árvore que havia chocolate em pó.
_fimdocapítuloV_
_fim_





Admin · 689 vistos · 7 comentários
16 Dez 2008 

Conto - Evolução

Evolução

"Era uma tarde comum, quase igual a todas as outras, na qual Jonas, um jornalista mal-sucedido procurava na Internet alguma nova fonte de fofocas. Jonas havia se formado jornalista fazia dois anos, e atualmente trabalhava para uma coluna de fofocas em um desconhecido jornal on-line que temos na atualidade. Não era o trabalho dos sonhos de qualquer recém-formando, embora isso lhe pagava as dívidas, e Jonas, rapaz que nunca tinha sido ambicioso o suficiente, não pretendia achar um novo emprego, apenas seguiria com o seu atual até algo melhor bater à porta.

Estava a navegar pelos sites mais conhecidos de “pseudo-artistas”, ou melhor, pessoas que não têm talento algum e que não têm nada a acrescentar, que ficam famosas às custas da ignorância dos brasileiros por terem participado de algum reality-show ou algo do gênero, quando se deparou com uma notícia interessante que lhe chamou a atenção: “Porco falante é atração na Alemanha”. Clicou no link e começou a ler a notícia na qual falava que um porco havia aprendido a reproduzir algumas palavras em alemão e o que os cientistas estavam estudando era se o animal também entendia o significado semântico.

Jonas bateu os olhos no relógio da barra de ferramentas do computador e viu que já estava na hora de ir pra casa. Desligou o computador, arrumou sua mesa, recolheu seus pertences em sua pasta e se dirigiu à porta do edifício. Estava um fim de tarde agradável, não fazia muito calor, embora a Avenida Paulista estivesse abafada em razão da fumaça dos carros. Jonas andou alguns metros até o ponto de ônibus ao lado da entrada do metrô Consolação. Ficou parado por alguns minutos no ponto enquanto seu ônibus não chegava, e observava as pombas urbanas ciscarem a calçada bicando o concreto caçando algo para comer. Havia um grupo de cinco ou seis pombas próximas umas as outras, e andavam de um lado pro outro com seus pescoços balançando para frente e para trás, como os egípcios faziam com seus braços enquanto dançavam na antiguidade.

Ele riu sozinho de sua comparação dos pescoços das pombas com os braços dos egípcios e fez sinal para o ônibus que estava a chegar. Embarcou no veículo, e sentou-se à janela, onde ainda podia observar as pombas esfomeadas beliscando o concreto com seus bicos, embora uma delas não fazia esforço algum em encontrar alimento, mas estava, na verdade, encarando Jonas. Aquela pomba o encarava tão brutalmente que os olhos de Jonas viraram-se para outra direção para evitar o contato visual, mesmo que por alguns segundos, quando recobrara a consciência de que ele era um ser humano, e não havia por que não encarar uma mera praga urbana como aquela. Fitaram-se por mais alguns segundos, e Jonas observou-a atentamente. Era igual a qualquer outra pomba que vemos na cidade. Acinzentada, com as asas mais claras que o peito e a cabeça, cauda riscada de negro e pescoço esverdeado, aquele verde metálico incomum que pombas possuem na penugem do pescoço. O bico era curto, vermelho e afinado, e um de seus olhos era leitoso, como se fosse cega da visão esquerda. O ônibus começou a andar, e Jonas acabou adormecendo no banco.

Acordou quando o ônibus estava a dois quarteirões do ponto onde desceria. Levantou-se, esbarrando nas pessoas em pé, e deu sinal para descer. A tortura que o levava do trabalho até sua casa parou, e Jonas desceu. Já era noite, e o céu estava escuro. As ruas mal iluminadas faziam com que Jonas apertasse o passo para chegar mais rapidamente, embora o barulho que os saltos de seus sapatos faziam era algo que atrairia qualquer ladrão nas redondezas. Procurou as chaves em seu bolso a alguns metros de seu apartamento, quando sentiu algo estranho e molhado cair-lhe aos ombros e nuca. Como por reflexo usou a mão para verificar o que era e sua visão não foi das mais atraentes. Era uma substância branca, com partes estranhas esverdeadas, o tão conhecido cocô de pomba. Jonas olhou para cima para achar o artista que fizera a pintura abstrata em seu paletó e encontrou cerca de cinqüenta pombos pairados aos fios de iluminação acima de sua cabeça. Todos o encaravam como o pombo do ponto de ônibus, brutalmente. Soltou um palavrão, e continuou a caminhar em direção à porta de seu edifício, quando outro míssil de bosta o atingiu na cabeça.
- Só pode ser brincadeira... – Disse desacreditado.
- O que? – Respondeu uma voz desengonçada.
Jonas olhou para trás à procura do dono da voz, e não encontrou alma viva na rua. Eram apenas Jonas e as pombas. Olhou incrédulo para os fios, e viu que as pombas se entreolhavam.
- Oi? – Perguntou o fracassado jornalista.
- Oi o que, mermão?! – Bradou uma pomba particularmente agressiva.
O homem fechou e abriu os olhos fortemente algumas vezes em tentativa de acordar do possível transe causado pelo cansaço, mas nada aconteceu, a pomba ainda continuava a gritar:
- Cê cheirou? Cê fumou, foi?
- Bem que eu gostaria! – Respondeu-a Jonas, e houve uma agitação repentina nas pombas pairadas aos fios. Ficaram inquietas e começaram a endireitar-se, se agrupando para escutar a conversa.

Jonas fitou as dezenas de pombas que o observavam e resolveu entrar de vez naquele diálogo. Talvez aquilo ainda fosse obra do pó que o jornalista cheirara quando era mais novo e ia pros clubes noturnos da cidade, ou então da erva que ele fumara.
- Maconheiro safado! – Gritou com incontrolável fúria a pomba descontrolada, as órbitas de seus pequeninos olhos saltavam ainda mais de sua cabeça desproporcional ao corpo.
- Não fumo mais. – Replicou o jornalista – Agora eu sou um homem sério. – Continuou.
As pombas riram.
- Não, é sério! – Completou ele – Não fumo e não pretendo mais.
- Mas sente vontade, Jão! – Disse a pomba marginalizada.
O jornalista não respondeu.
- Nóia sem vergonha! – Gritou a pomba da favela mais uma vez, fitando o céu escuro da noite.
- Quieto. Aqui quem faz a falação sou eu. – Disse outra pomba. Essa tinha um ar mais intelectual. Pelo menos, seu tom de voz era mais sensato, e as palavras, apesar de saírem atropeladas umas às outras, eram mais identificáveis. Era atarracada e desproporcional. Era uma pomba gorda, e Jonas se perguntou como um animal daqueles conseguia voar.
- Mas você também fala? – Arriscou.
- Na verdade, não. Na verdade somos marionetes de um ventríloquo escondido atrás da lata de lixo. E isso é tudo uma câmera escondida do programa idiota que você passa a tarde toda assistindo durante o domingo. – Ironizou a pomba.
As pombas riram de novo. Jonas não se importou com a alfinetada, na verdade, quase nada estava sendo absorvido por ele durante a conversa. Estava perplexo demais por pombas poderem falar.
- Mas se vocês falam, qual o outro som que vocês fazem? Quero dizer, cachorros latem, cavalos relincham, vacas mugem, e pombas? Pombas fazem o que? – A pergunta fútil escapou dos lábios do jornalista.
- Arrolar, arrular, arrulhar, gemer, rular, rulhar, suspirar, turturilhar, turturinar. Esses são os verbos usados. Mas, em que isso é relevante aqui? – Respondeu o pombo intelectual.
- Nada, nada. – Disse – Apenas curiosidade inútil.
- FUMA MACONHA, CARAIO! – Berrou a ave favelizada.

Um silêncio desagradável tomou conta da rua por alguns instantes, quando o homem finalmente recobrara o juízo.
- Mas vocês não deveriam falar! São animais! – Concluiu.
- Vocês, homens, nascem humanos e tornam-se animais durante o decorrer de suas medíocres vidas. A partir do momento que crescem e se tornam independentes, vocês abandonam os pais que dedicaram mais da metade de suas vidas para cuidar e proteger a vocês. Vocês, que se julgam tão superiores a nós, acabam uns com os outros em frações de segundo por pura irracionalidade. E o que dizer sobre como tratam suas fêmeas? As abandonam por qualquer outra parceira que seja sexualmente melhor para carregar os seus genes. E eu poderia ficar a noite toda aqui dando razões para a sua animalidade. Vocês são como nós. Irracionais. O homem pensa que pensa, e essa é a verdade.
Jonas escutava o pombo como escutou a primeira aula que teve na faculdade. Absorveu cada palavra proferida. Só não tomou notas sobre o que o pombo falara, pois estava sem papel e caneta em mãos.
- E por que apenas os homens, animais tão irracionais quanto todos os outros, são providos de fala? Nós também somos, apenas pensamos duas vezes antes de falar. – Continuou – Nós também evoluímos, vocês não foram os únicos no planeta. Cada espécie do seu jeito, cada espécie em seu próprio tempo, mas no final, todos evoluem.
- Ou não... – Concluiu o jornalista. Balançou a cabeça, limpou a cagada de seu terno, e continuou o caminho em direção à sua casa, perdido em devaneios sobre a raça humana e a evolução que a mesma teve desde a época que a linguagem foi criada.

Jonas chegaria em casa, abriria a gaveta de seu criado-mudo e acenderia o cigarro solitário, forte, e ilícito que o faria repensar o diálogo que tivera com as pombas. E riria muito. Realmente as pombas eram mais inteligentes que os ratos. Ele não gostava dos ratos. O criticavam muito mais pela maconha do que as pombas o fizeram. As pombas eram mais filosóficas, os ratos eram apenas ratos..."
Admin · 952 vistos · 4 comentários
16 Dez 2008 

Capítulo II - O Lendário vendedor de Cogumelos Dançantes.

Capítulo II - O Lendário vendedor de Cogumelos Dançantes.

Naquele dia eu estava totalmente perdido e desmotivado para tomar uma atitude maior.
Estava sem dinheiro, sem comida, sem mochila, e sem a mínima idéia de onde procurar apoio para me recompor.
A única coisa valiosa que me restara eram os calçados que vestiam meus pés, que noutra hora havía mandado confeccioná-los em Darashia, no oriente, além do meu cajado místico.
Feitas de fibras de Babosa e tingidas com sangue de ovelha negra, o par de botas era provído por uma força oculta, imperceptível aos olhos, criadas pelos anciões imortais que habitavam os arredores da cidade.

Minha primeira atitude depois de lamentar o acontecimento, foi ir atrás com a única informação que eu tinha em mãos para encontrar aquele desgraçado. A casa número 6, na Central circle Shop.
"Toc Toc", bastou dois toques na porta, para eu ouvir os passos que aparentemente desciam as escadas da casa.
Uma mulher apareceu sobre a janela lateral, se apoiando sobre a parte inferior, onde Bronha na noite anterior estava encostado, eufórico.

Aparentemente a jóvem tinha pouca idade, olhos negros, cabelo escuro encaracolados, uma garota normal.
Porém um detalhe me deixou curioso, aquela pequena penugem acima de sua boca, semelhante ao que os homens costumam ter.
"¿Qué quieres señor?" perguntou ela.
"Procuro por Aleon Bronha, seu empregado." respondi, assustado em consequência do sotaque que apesar de confuso, era ao mesmo tempo legível aos meus ouvidos.
Ela então me disse que nunca tinha visto ou ouvido falar desta pessoa, fechando em seguida a janela de maneira brusca.
Insisti, e mais uma vez bati em sua porta.

"¿Qué quieres porra? Deixame, Puto!"
Disse ela sem esperar eu responder, entrando novamente para dentro de sua casa.
De fora dava para ouvir uma canção que aparentemente era executada pela mesma mulher misteriosa.
Aquilo soava como algo extremamente desagrádavel "I Soy rebelde" cantava ela repetidamente.

Entendi o recado, e me perguntava se aquela moça era o mesmo bebê de tantos anos atrás e preferi não incomodá-la por enquanto.

Sem nenhuma idéia de como seguir em frente, a única coisa que me recordava naquele instante era de como me tranquilizava atirar pedras no Oceano.
Meu ponto prediléto era a ponte que ligava Edron, até a saída nordeste.
Decidí visitar o local.
No caminho por algum motivo aquela música não saía da minha cabeça, e estava realmente me incomodando.

Cheguei ao meu destino, o lugar não tinha nenhuma mudança, e estava exatamente como a 20 anos atrás.
O mar estava calmo, e no horizonte você ainda avistava as gaivotas que alí se alimentavam.

Aquilo realmente me confortou, jogar pedras no oceano era um refúgio que mesmo depois de tanto tempo, ainda me confortava, e me fazia esquecer dos problemas desagradáveis e naquele momento da música que então eu havía me esquecido.

O tempo passou rápido, e nem me dei conta que o sol caminhando para o horizonte, e que agora núvens escuras e carregadas se aproximavam da bahia de Edron.
Começou a chover, eu corri com facilidade para o primeiro local coberto que eu avistei, mesmo assim eu estava ensopado.
O local era o maior ponto de magia da cidade.
Com uma forma geométrica, ligado por algumas pontes, o local era visitado por muitos curiosos e místicos.
Alí era possível encontrar poções, comidas, livros, e consultar oráculos que podiam te guiar espiritualmente, e te ensinar técnicas para concentrar sua força.


Segui até uma escada, subindo degrau por degrau, de forma desajeitada com o peso da roupa em consêquencia da água.
No andar superior eu encontrei um local totalmente místico, que eu jamais havía estado antes.
O cheiro era semelhante, sem dúvida o mesmo, que eu encontrara no dia anterior saindo da janela de Zalpni, e havía objetos estranhos por toda parte.
Tirei as minhas botas e as encostei junto a parede, para evitar que por ventura eu adoeça e uma nova desgraça aconteça comigo.


Caminhei então até o balcão, onde se encontrava um rapaz estranho, que sorria de uma forma engraçada ao mesmo tempo lenta e relaxante.
"Olá...."
"Ouahee, menino branco do sapato ensanguentado!" Disse ele...
Me espantei, pois não entendi o que aquele homem quis dizer.
Ele então me disse "So a vida e so a morte, so guerrero so frangote, so a guerra so a paz, so de menos so de mais".
Ainda sem entender, e antes que eu perguntasse algo, ele continuou "Num confundi Ouarrii, meu nomi é Yddotí e to aqui pra ti serví"
Naquele momento uma lembrança forte veio a tona, e tive uma recordação.
Meu pai sempre me contava sobre um tal Yddotí, que cuidava de sua saúde mental, ele dizia que Yddotí era milagroso, e conseguia mudar o seu humor sempre que estava deprimido.
Era conhecido como O lendário.
Em um ato de desespero, eu pedi para aquele homem me ajudar, pois a fome retornara naquela tarde, e eu estava ensopado e deprimido com os ultimos acontecimentos e sem nenhuma moeda para pagá-lo.
Ele então, sem hesitar me ofereceu uma xícara de chá, composta por cogumelos de Tiquanda.
Sem pensar e confiante que aquilo iria saciar as minhas vontades, eu bebi em 2 goles.
O gosto era amargo, e insuportável, uma ãncia me subiu a cabeça, mas segurei a respiração e depois de alguns segundos aquilo não me incomodava mais.


Continuei conversando com o lendário, e conforme o tempo ia passando, os pássaros azuis caramelados planavam pela sala acompanhados pelos grandes elefantes de orelhas fluorescentes.
Aquele espetáculo era lindo, minhas botas desgrudaram da parede e criaram vida, e começaram a dançar, junto ao restante dos Cogumelos que se encontravam na pratileira.
A sensação que eu tinha, era de um prazer imenso, eu estava flutuando e observando todo aquele espetáculo de cima.
O lendário se transformara em chocolate, e as paredes se moviam de um lado para o outro, para frente e para trás.
Eu não sabia explicar o que estava acontecendo, mas a fome não existia mais, a tristeza havía sumido, e eu não estava mais preocupado com nada.


Desci as escadas, e fui vagando pelos corredores, passando pelo meio das pessoas que alí estavam.
Sob o efeito do chá, eu continue sendo seguido por Pássaros caramelados, que agora mudavam de cor, e tentavam me dizer alguma coisa.
Um dos pássaros passou a minha frente, e começou a me dizer "Obrigado mais uma vez pela oferenda meu senhor".
Eu ainda sem entender, continuei seguindo em frente.
A voz daquele pássaro era famíliar, mas não conseguia me lembrar a quem pertencia naquele momento.

Não tinha mais conciência de tempo, e espaço, me guiava por sensações e pelo que eu achava que era certo.
Mas onde eu estava? ja havía andado muito, e a sensação que eu tive era de ter caminhado por dias.
Subi e desci muitas escadas, que aparentavam ser grandes pedaços de bifes, a não ser pelo gosto da madeira.

Logo aquele barulho me chamou atenção, o mesmo do asoalho de madeira que noutro dia eu havia escutado.
Cheguei a pensar que eu estava novamente no cais, mas não conseguia enxergar nada além de Bifes e pássaros caramelados.

A sensação agora já não estava mais me trazendo prazer, e sim um euforia imensa que não me deixava voltar ao normal.
Em um ato de desespero me joguei do Bife mais alto que encontrei imaginando ser mais uma ilusão, e tive uma surpresa...


[i]Continua...
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16 Dez 2008 

Crônicas de Siseneg

Capitulo I - O Viscoso

Admin · 367 vistos · 5 comentários

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